A rede regional de pesquisa e educação da América latina acaba de completar 9 anos de vida. Nesta entrevista, quem dirige a RedCLARA desde o começo, compartilha conosco suas visões sobre as redes avançadas e a colaboração global.


Florencio Utreras, RedCLARA

O que vem na sua mente quando ouve um pesquisador falar sobre a colaboração?
Eu penso em pesquisadores da América Latina trabalhando juntos na resolução de grandes problemas comuns que afetam a região, como: a previsão de desastres naturais (terremotos, vulcões, inundações, etc.), a descoberta de drogas e tratamento de doenças infecciosas (mal de chagas, malária, cólera, etc.), o valor agregado dos nossos produtos básicos descobrindo novos processos, usos e formas de comercialização, etc. Eu penso em gerar massa crítica em nossa região, unindo esforços de pequenos grupos para formar grupos relevantes no contexto global. Enfim, eu penso nas imensas possibilidades de uma região integrada.

O que identificaria como o mais importante das redes de pesquisa e educação?
A visão de futuro, a capacidade de descobrir novos aplicativos e usos que moldarão a forma em que trabalharemos, estudaremos e nos divertiremos daqui a alguns anos. A colaboração entre os sistemas universitários e de pesquisa que busca formar equipes de grande tamanho e capacidades para resolver grandes problemáticas regionais e mundiais. A capacidade de fazer contribuições para o avanço da tecnologia, como foi a Internet, o WWW e como agora é com o incentivo ao IPv6 ou as redes óticas controladas pelo usuário, os sistemas de “roaming” de dados ou as federações de identidades, etc. Em suma, as RNIE são um motor de mudança tecnológica, colaboração acadêmica e visão de futuro.

Como descreveria o papel da RedCLARA, tanto no contexto regional quanto global?
A RedCLARA é uma grande iniciativa de colaboração regional, integra os esforços das Redes Nacionais, entre si e com o mundo. Ela representa perante a comunidade um sucesso na colaboração de uma região que visa integrar seus sistemas universitários e de pesquisa. Não é em vão que outras regiões buscam analisar como conseguimos ter uma organização na qual todos os países da América Latina colaboram sem reservas, com generosidade. Uma organização que soube ganhar o prestígio de seriedade e eficiência, tanto com organizações internacionais quanto regionais; uma organização que lidera a criação de serviços para pesquisadores e grupos de pesquisa, e colabora ativamente no contexto global.

O quanto é importante para a RedCLARA a colaboração com outras redes regionais e de que maneiras ela colabora no contexto global?
A colaboração com outras regiões é fundamental. Hoje em dia, a pesquisa e a educação são globais, nossos acadêmicos precisam se integrar com equipes de pesquisa de outros continentes, para trocar dados, ter acesso a instrumentos, usar instalações computacionais, etc. Sem essa colaboração nossa, por mais eficientes e poderosas que sejam as redes, elas ficariam truncadas, não cumpririam a missão de integrar a América Latina no mundo.

A colaboração acontece de múltiplas formas. Primeiro com a interconexão das nossas redes e as contribuições de organizações e projetos internacionais que, em conjunto com os nossos colegas de outros continentes, muito particularmente com a Europa, tem nos ajudado a construir o que temos. Sem essa colaboração, a RedCLARA não existiria na forma em que nós a conhecemos hoje. Em segundo lugar, por meio da troca de informação para a colaboração entre os nossos pesquisadores, do permanente contato que possibilite a identificação de pessoas e instituições com as quais os nossos pesquisadores possam colaborar em questões específicas. E, é claro, com os acordos que estão sendo feitos em questões como: federações de identidades, uso compartilhado de aplicativos (por exemplo, videoconferências), mobilidade entre as nossas redes (roaming), etc.

Como acha que mudará nos próximos anos a colaboração global entre as redes regionais?
Deveria tender para uma maior integração, principalmente dos aplicativos que favorecem a colaboração. Para um pesquisador, deveria ser tão simples quanto usar um telefone e poder fazer uma reunião por meio de videoconferência, compartilhar documentos, trabalhar juntos gerenciando um projeto, organizando uma conferência, etc. E isto deveria ser feito sem eles precisarem se identificar em vários sistemas separadamente, mas garantindo a segurança dos aplicativos, os dados, os documentos e as pessoas. A chave é a integração de serviços.

Poderia descrever a sua visão das redes de pesquisa e educação no futuro?
Para mim são a ponta de lança do avanço tecnológico e da integração das nossas capacidades globais de pesquisa e atividade acadêmica em geral. Sendo as instituições de ensino superior e pesquisa aqueles onde são moldados os conhecimentos e, principalmente, de onde saem os jovens que construirão o futuro, é a sua capacidade de colaboração e de integração a que definirá o que nós faremos ou deixaremos de fazer amanhã. As Redes de Pesquisa e Educação são e devem ser os lugares onde são propostos os novos aplicativos e formas de trabalho nesta sociedade hiperconectada que nós estamos construindo.

Expirado

Nesta edição destacamos a edição especial LÍDERES: Colaboração global, redes de pesquisa e educação… qual a sua opinião sobre isso? Um trabalho no qual ele convidou os líderes das redes de pesquisa e educação regionais e daquelas nacionais de maior envergadura e/ou alcance para responderem seis perguntas relacionadas com a colaboração e o trabalho das suas redes. Estas são as suas respostas. Download DeCLARA Nº31, aqui.

Os líderes da instituição que administra a rede pan-europeia (GÉANT), compartilham – nesta nova entrega da série dos líderes das redes avançadas regionais – sua visão sobre o papel das redes de pesquisa e educação, e a importância da colaboração global.


Matthew Scott - Niels Hersoug, GÉANT

O que vem na sua mente quando ouve um pesquisador falar sobre a colaboração?
Niels:
É uma força importante que existe uma vontade comum entre os pesquisadores de todo o mundo para trabalhar juntos pelo benefício da humanidade. A possibilidade de colaborar depende de contar com a infra-estrutura adequada, e é a partir de um desejo de ajudar no trabalho colaborativo em todo o mundo que muitos de nós estamos aqui em DANTE. A RedCLARA é outro bom exemplo do bem que as coisas podem funcionar quando esse apoio à colaboração está aí.

Matthew: A colaboração gera benefícios gerais para a sociedade em muito níveis. Une as pessoas com habilidades semelhantes para trabalhar juntas por um objetivo comum, criando o que chamamos da vila da pesquisa; ou seja, a ideia de que, independentemente do quanto as pessoas estejam afastadas geograficamente, elas podem trabalhar em forte colaboração.

O que identificaria como o mais importante das redes de pesquisa e educação?
Niels:
Além do apoio que as redes de I+E dão à pesquisa, também devemos lembrar do importante papel de facilitador da educação. Também é essencial que continuemos trabalhando para quebrar a exclusão digital, um assunto que é muito querido pela Comissão Europeia, em comparação com os fornecedores comerciais.

Matthew: Absolutamente, é crucial que nós criemos igualdade de oportunidades para as pessoas de todo o mundo terem acesso aos seus colegas e parceiros na comunidade de pesquisa e educação, tanto no contexto local quanto no contexto mundial.

Como descreveria o papel da GÉANT, tanto no contexto regional quanto global?
Matthew:
Na Europa, a GÉANT atua como a comunidade comum para os pesquisadores europeus e também como uma sociedade das RNIE europeias nas quais podem colaborar em novos serviços. No contexto global, vemos a GÉANT muito no centro da vila de pesquisa e a educação. Um exemplo disto é o fato de que ela possibilita a troca de conectividade entre outras regiões do mundo.

Niels: DANTE tem quase 20 anos de experiência no estabelecimento de redes regionais de pesquisa e educação. Esta experiência é algo que nós temos compartilhado e continuaremos compartilhando com outras regiões do mundo.

Matthew: Além de fornecer conectividade, a GÉANT também oferece serviços para atender as necessidades dos usuários dentro da Europa. Isto é, de novo, algo que podemos compartilhar com outras regiões do mundo. O projeto ELCIRA, liderado pela RedCLARA, nos qual Dante e GÉANT estão fortemente envolvidos, é um exemplo de como podemos compartilhar experiências de serviços e trabalhar para criar serviços inter-regionais que beneficiem as colaborações globais.

O quanto é importante para GÉANT a colaboração com outras redes regionais e de que maneira ela colabora no contexto global?
Niels:
A colaboração internacional é chave para nós. DANTE fez um grande esforço para apoiar outras redes regionais nos últimos anos, com o apoio do financiamento da Comissão Europeia (CE), o que significa que os custos de conectividade entre as regiões sempre foram compartilhados. Também ajudamos outras redes a justificarem, perante as suas fontes de financiamento locais, a importância das Redes de Pesquisa e Educação.

Matthew: Para os projetos regionais financiados pela Comissão Europeia, DANTE tem atuado como link entre a CE e as regiões. Isto ajudou a criar laços muito fortes entre as regiões e a Europa. Mas à medida que as organizações como a RedCLARA, na América Latina, e o Centro de Cooperação TEIN*, na região da Ásia-Pacífico, adotam o papel do gerenciamento dos projetos financiados pela CE, DANTE continua trabalhando fortemente com eles para apoiá-los no seu trabalho.

Como acha que mudará nos próximos anos a colaboração global entras as redes regionais?
Niels:
Vamos ver uma mudança na diferença nas capacidades fornecidas pelas redes menores e as maiores. Pouco a pouco, a conectividade crescerá até o ponto em que haverá uma maior igualdade na largura de banda em todas as regiões do mundo.

Matthew: Fornecer largura de banda suficiente entre as regiões continuará sendo uma parte importante da colaboração global, mas o foco principal estará na prestação de serviços inter-regionais que facilitem a colaboração global.

Poderia descrever sua visão das redes de pesquisa e educação no futuro?
Matthew:
Para os projetos grandes a questão continuará sendo fornecer uma largura de banda sem restrições, algo que os fornecedores comerciais não estão interessados em fornecer, dada a natureza explosiva das redes de pesquisa. Cada vez mais, trabalharemos juntos para atender os grandes projetos científicos que são distribuídos em todo o mundo, obra que seria impossível sem uma grande largura de banda. Os projetos de pesquisa que dependem dos dados, como o Observatório Europeu Austral, no Chile, e o Observatório Pierre Auger, na Argentina, são bons exemplos disto.

Para além da questão da largura de banda, a qualidade dos serviços prestados pelas redes de I + E será muito importante, seja para o monitoramento de rede, a conectividade por largura de banda sob demanda, eduroam, o acesso global aos serviços por meio de federações, ferramentas de colaboração, etc.

Niels: É vital nos mantermos muito à frente dos fornecedores comerciais e experimentarmos coisas que não têm um caráter comercial atraente. Temos de cumprir o impensável.

Esta atividade corresponde aos já tradicionais Infodays organizados pela RedCLARA, cujo objetivo é conhecer as iniciativas definidas pela Comissão Europeia para a apresentação de projetos de colaboração em diferentes áreas pertinentes para a região.

There is no translation available.

Equipo TICAL 2012Dos días, 181 participantes, 170 conectados únicos por Streaming HD (realizado por la red académica peruana, RAAP) y cerca de 30 destacadas presentaciones son parte de los logros de la segunda versión de la Conferencia de Directores de Tecnologías de Información y Comunicación de Instituciones de Educación Superior, TICAL 2012, realizada el 2 y 3 de julio en la ciudad de Lima, Perú.

Rambla República de México 6125.
Montevideo 11400. Uruguay.

Proyetos em execução

© 2026 RedCLARA